MPF não vê culpa da Chapecoense em acidente, mas suspeita de irregularidade da Anac ao liberar voo que levou seleção argentina

Ministério Público Federal (MPF) em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, divulgou nesta quinta-feira (26) a conclusão do inquérito civil que investigou o acidente com o avião que transportava a delegação da Chapecoense, ocorrido em novembro do ano passado. O órgão afirmou que não encontrou irregularidades na contratação entre o time catarinense e a empresa LaMia. Porém, viu suspeitas na autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para um voo fretado para a seleção argentina também feito pela LaMia.

O G1 entrou em contato com a Anac, que informou que não havia ninguém que pudesse dar esclarecimentos na noite desta quinta. A Agência afirmou que deve se manifestar nesta sexta (27).

Pelas conclusões do MPF de Chapecó, a provável causa da queda do avião foi a falta de combustível. O órgão não encontrou ações de brasileiros que pudessem resultar no acidente.

Despacho

Em relação à Anac, segundo o despacho do MPF, havia manifestação técnica contrária para a aprovação do voo que levou a seleção argentina de futebol da Argentina até Belo Horizonte também em novembro de 2016. Mesmo assim, houve autorização da agência.

Segundo o despacho do Ministério Público Federal, "evidencia-se a necessidade de encaminhamento de cópia dos autos à Procuradoria da República no Distrito Federal – unidade com atribuição para tanto – a fim de que adote as medidas que entenda cabíveis com relação a possível ocorrência de crime de prevaricação e/ou ato de improbidade administrativa por parte dos responsáveis pela autorização dos voos da empresa LaMia para transporte da seleção argentina de futebol".

De acordo com o MPF de Chapecó, um dos objetivos do inquérito civil era cooperar com as investigações que ocorrem nos países vizinhos. Além disso, visava apurar se brasileiros poderiam estar envolvidos em alguma ação que resultou no acidente.

Queda do avião

A aeronave caiu perto de Medellín, na Colômbia, na madrugada de 29 de novembro de 2016. Foram 71 mortos e seis feridos. O time da Chapecoense embarcou para a Colômbia para disputar a primeira partida da final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, que estava marcada para o dia seguinte.